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O Perigo do Mali



A décima primeira etapa do Rally Lisboa Dakar 2007 aconteceu ontem com o traçado de um laço, com largada e chegada em Néma, hoje o rali se deslocou entre as cidades Néma e Ayoun, ainda na Mauritânia. Neste décimo primeiro dia de competição não houve tempo cronometrado, ou seja, nenhuma especial foi realizada.

O motivo: uma recomendação do serviço secreto francês que alertou sobre a possibilidade de ataques de rebeldes argelinos, terrorismo puro incluindo a possibilidade real de seqüestro de pilotos e pessoas da organização.

Em virtude desta informação, a imprensa mundial começou a questionar a segurança da prova e em novembro a organização da competição informou a mudança de rota, e cancelou as etapas no território do Mali.

A informação foi divulgada pelo respeitado jornal francês Le Monde, que afirmou ainda que o Grupo Salafista para a Predicação e Combate (GSPC), recentemente unido à Al Qaeda, pode levar a sério às ameaças. O grupo está ativo na zona de Néma e no Mali e tem ligações com o tráfico de armas. O GSPC é herdeiro do Grupo Armado Islâmico (GIA) e conta com 500 a 800 ativistas.

 "O rali em si já é exaustivo e nos expõe a riscos que muitos consideram sangrentos, mas quem está aqui sabe, o Dakar é um deserto de emoções e não existe apenas o universo da competição, ações sociais e humanitárias também são desenvolvidas pela organização da prova, que preza pela segurança de quem está aqui, e procura gerar benefícios para regiões paupérrimas por onde passamos". Nos conta Riamburgo, que ainda complementa, " Nós não temos noção do que é a África até conhecê-la de perto, com o Dakar tenho tido a oportunidade de descobrir lugares, pessoas, culturas e emoções que nunca imaginei fossem possíveis em um rali".

 

Esta não foi a primeira vez que o Dakar teve etapas canceladas, mas foi a primeira vez que vetaram trechos antes da largada. A mudança na rota deste ano foi a seguinte: A 10ª etapa seria um percurso de Néma à Timbuctu e a 11ª, de Timbuctu à Néma. Somadas, teriam 1.205 quilômetros de percurso.

Para contornar um pouco a situação, a organização modificou a 10ª etapa e fez um percurso em laço ao redor da cidade de Néma, na Mauritânia, sem entrar no Mali. A 11ª etapa foi mesmo cancelada e transformada num deslocamento de 280 quilômetros até Ayon, ainda na Mauritânia, onde a prova larga novamente hoje para a 12ª etapa.

"Infelizmente, não é a primeira vez que o rali é alvo de grupos destes, utilizando a prova como um trampolim para a imprensa, divulgando suas causas. Já sofremos ameaças em etapas anteriores. A ameaça é para uma etapa específica e a organização deve dar segurança aos participantes", afirmou André Azevedo.

 

Neste momento 112 carros, 60 caminhões e 142 motos cumprem 484km dos quais 257km são cronometrados. O rali segue agora de Ayoun rumo a Kayes.

A pontuação mantém-se a mesma já divulgada após a décima etapa, os destaques brasileiros são nos caminhões a dupla André Azevêdo e Maykel Justo, que competem ao lado do theco Myra Martinec e ocupam a 4ª posição na classificação geral da prova.

O cearense Riamburgo Ximenes que compete ao lado do navegador Lourival Roldan pontua em 54º na geral e também é destaque por liderar a classificação da categoria rookie (estreante do ano). Se ele mantiver sua performance trará um título inédito de melhor estreante para o Brasil.