A especial de hoje, décima etapa da competição, teve como principal característica o formato de laço, com largada e chegada na mesma base, em Nema, Mauritânia. Foram cumpridos 400km totais, dos quais 366 cronometrados, o traçado sinuoso dificultava ultrapassagens e oferecia aos competidores as prováveis últimas dunas antes da chegada ás savanas africanas.
Para Riamburgo Ximenes e Lourival Roldan a etapa foi uma das melhores durante estes 10 dias de Dakar, com um tempo de 4h39min26seg eles fizeram o 32º melhor tempo do dia em meio aos 114 carros que largaram nesta manhã.
Com este resultado, Ximenes/Roldan voltam a ganhar posições. Ontem na especial entre Tichit e Néma a dupla conquistou o 49º melhor tempo e pontuou na geral na 54ª posição.
Com o resultado de hoje, Riamburgo e Lourival sobem mais seis posições na geral e assumem a 48ª posição dentre os carros na geral, e 3ª posição dentre os estreantes no Dakar.
"Estamos num ritmo bom, e ganhar posições é sempre um grande estímulo em meio às dificuldades da competição. Nosso objetivo é fazer o melhor que pudermos dia a dia rumo à chegada em Dakar, no Senegal" . Declarou Ximenes ao concluir a especial do dia.
Com os altos e baixos do rali, a mudança de posições é uma constante na prova.
Nos carros principalmente. Hoje a vitória do dia foi de Al Attyah, do Quatar, o piloto da equipe oficial BMW trouxe a primeira vitória em uma especial para seu time, mas as vitórias em etapas nem sempre asseguram os melhores resultados na geral. O motivo é que são muitas as variáveis em um rali, em uma rápida retrospectiva observe que o português Carlos Souza foi o primeiro líder segurando a posição nas etapas que aconteceram dentro do seu país. Na seqüência o espanhol Carlos Souza assumiu a ponta e durante quatro dias longos dias foi o líder geral. Mas como este rali é uma real caixa de surpresas, o sul africano Giniel De Villiers não deixou por menos, tomou o primeiro lugar na geral do colega de equipe na sétima etapa e manteve a Volkswagen no topo da competição. E quando o mundo achava que a marca alemã conseguiria quebrar a hegemonia da Mitsubishi na história do Dakar, o carro de DeVilliers pega fogo e eis que surge ele, o mega campeão da competição, o francês Stéphane Peterhansel que leva a Mitsubishi à liderança do rali na nona etapa do Dakar e a mantén ao final do dia de hoje.
E como é fácil perceber, os líderes sempre são carros oficiais de fábrica, salvo Carlos Souza, que é semi-oficial. E se eles passam por tantos sufocos, imaginem as equipes privadas, o universo dentro da prova é paralelo.
No escalão em que estão os brasileiros Riamburgo Ximenes e Lourival Roldan cada dia concluído é uma vitória à parte. Apesar da excelente estrutura da Red Line Off Road Team, o Dakar é um rali para desafiar, para tornar seu campeão um herói!
Por isso, cada nova posição conquistada por um brasileiro é digna de comemoração e alegria, os heróis brasileiros têm superado não apenas um deserto de areia e dunas, mas de dificuldades e limitações ocasionadas pela não cultura do esporte no país.
"Para se ter uma idéia da diferença econômica que nos separa das equipes de fábrica, é como se eles morassem no melhor bairro da cidade e nós na periferia mais organizada possível. Somos simples, mas somos bacanas. No Brasil é diferente, um competidor não oficial pode e tem chances reais de vencer, como já aconteceu comigo nos Sertões. Nos escolhemos a Red Line porque sabíamos da raça e da boa infra-estrutura privada que teríamos, e é excelente! Mas, as fábricas atualmente são inalcançáveis" ! Comparou Ximenes ao ser questionado sobre as diferenças que separam as melhores equipes privadas das estruturas de fábrica.
Mas, como declarou Carlos Sousa " já vimos que as coisas podem mudar de um momento para o outro. Por isso, nem tudo está perdido. Vamos continuar a dar o nosso melhor até ao final".
Dentre as duplas brasileiras Paulo Nobre, o Palmeirinha, tem o melhor do dia a bordo de sua BMW X5, único brasileiro a competir em um carro oficial de fábrica, fez o 19º lugar no dia, e agora é 43º na soma das etapas. Kléver Kolberg e Eduardo Bampi obtiveram o 22º tempo do dia, e pontuam em 66º na geral.
Dentre os carros de sua equipe, a portuguesa Red Line Off Road Team, Riamburgo e Lourival mantém o melhor resultado do time. Os outros carros da equipe pilotados pelos portugueses Francisco e Nuno Inocêncio pontuam em 40º e 41º no resultado geral.
Nas motos o espanhol Marc Coma da equipe oficial KTM continua inalcançável. Administra bem sua vantagem sobre o francês Cyril Déspress e com sabedoria segue firme e agora sozinho, já que seus companheiros de equipe abandonaram a prova. Na etapa de hoje a vitória foi do português Hélder Rodrigues que com uma moto de 450cc bateu pilotos de ponta abordo de máquinas de até 650cc graças ao circuito técnico e seletivo. Já o brasileiro Jean Azevedo faz uma prova de recuperação depois dos problemas com seu motor, fez o nono tempo do dia e agora aparece em 36º na geral. Há ainda mais dois brasileiros competindo nas motos, Dimas Matos, em 44º na geral e Carlos Ambrósio em 65º após dez etapas concluídas.
Nos caminhões André Azevedo e Maykel Justo são os únicos representantes brasileiros e hoje tiveram um excelente dia fazendo o segundo melhor tempo, na geral eles pontuam em 4º lugar, melhor resultado para o Brasil até o momento.
Para amanhã estão previstos mais 280km entre as cidades de Nema e Ayoun, ainda na Mauritânia. Vale lembrar que tanto a etapa realizada hoje, como a de amanhã sofreram alterações de rota por razões de segurança. A capital do Senegal está cada dia mais próxima, faltam apenas 1873km dos quais 758km de trechos cronometrados.
Para mais informações sobre a dupla Ximenes/Roldan acesse a página www.rallye.com.br, ou www.rxrace.com.br.
Riamburgo Ximenes e Lourival Roldan tem o patrocínio de Governo do Ceará – Setur, Ypióca, Mitsubishi Motors Brasil e apoio de Nissei, Motorola e Ponto da Moda.
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Zarhi El Malek
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