
Cumpridas sete etapas, hoje é dia de descanso em Atar, na Mauritânia, mesmo local onde o rali pernoitou esta noite
Quando se fala em Dakar, de longe se imagina muita coisa…perigo, velocidade, areia, deserto…muitas são as palavras que vem a mente. Mas o que se intitulou "Dakar" é um rali, e um verdadeiro rali é algo bem diferente daqueles que temos acesso. Mesmo o Rally do Sertões, que é a mega prova brasileira, não pode ser comparado a um Dakar.
Ontem foi concluída a sétima etapa da competição, com larga de Zouérat e chegada em Atar, na Mauritânia, a prova foi marcada por tempestades de areia e condições climáticas dignas das melhores produções cinematográficas, tanto que a prova precisou ser interrompida no km 407,6. Hoje, dia de descando, nos tivemos condições de conversar novamente com o piloto Riamburgo Ximenes, que nos contou o seguinte:
"É difícil descrever em palavras a proporção de um rali como este. A exaustão é enorme porque a nossa infra-estrutura está a anos luz de distância das megas equipes de fábrica. Por exemplo este é o meu terceiro dia sem banho, tenho chegado muito cansado, exausto após um média diária de 12 horas dentro de um carro que nos exige física, mental e emocionalmente. Comemos em tendas sobre tapetes persas e a comida vem temperada de areia. Já as equipes de fábrica tem até banheiro próprio, uma realidade bem distante da nossa. Em um Iro Man você depende basicamente da sua capacidade física, do seu talento… aqui são tantas as variáveis e situações que você precisa se virar para superar que não há como viver uma aventura maior que está, não há! "
E se a areia é considerada a grande atracão do Dakar, na pista as diferenças são maiores ainda, Lourival Roldan nos conta que as dificuldades são diárias, e um dia tranquilo é uma bênção.
"Na areia todos atolam, são armadilhas seguidas de armadilhas, e desde os carros de ponta até o mais simples veículo todos passam por dificuldades. As tempestades de areia são cruéis, vento forte e intenso, que muda completamente as formações, ou seja, há os mais diversos tipos de dunas, e isso determina o seu grau de perigo, não há como saber o que vem após cada subida e crista de duna. Chegamos a sétima etapa, e não há como apostar em um vencedor. Aqui cada dia é uma vitória que soma rumo a vitória, rumo à Dakar".
Para Ximenes, que cresceu acelerando por entre as dunas do nordeste do Brasil, a areia do deserto traz novos desafios e quando questionado sobre as diferenças entre as areias do Ceará e as da Mauritânia, ele afirma:
" A areia daqui é fofa, e com formações loucas. Para atacá-las precisamos estar preparados para as surpresas que podem surgir, e não dá para andar devagar porque senão atolamos. Andar na areia é difícil, mas para mim é um prazer, me faz bem, me sinto enfrentando dificuldades maiores do que as de costume, mas é exatamente isso que me encanta. Ontem caímos em um funil e aí se atola, não tem como fugir disso, faz parte da prova. Mas, é nesse momento que a determinação é fundamental, meu navegador, Lourival, me deu um lição de persistência. Ao cairmos no funil pensei, não vamos sair daqui tão cedo! Mas, ele é teimoso, corajoso e determinado, e me mostrou que juntos e com força de vontade podemos superar situações antes inimagináveis. Coisas que um Dakar ensina para toda a vida. Eu estou maravilhado"!
Em dois dias de Mauritânia, a dupla Ximenes/Roldan continua a recuperar posições após o acidente nas areias do Marrocos há três dias atrás. Na briga pelo troféu "Rookie", novato do ano, eles tem alternado a liderança da categoria.
Em busca de um bom resultado para o Brasil, eles seguem acelerando forte.
O dia de hoje é de descanso, a equipe encontra-se neste momento em Atar, na Mauritânia. O Mitsubishi Pajero da dupla está sendo revisado para os 3.414 km que ainda faltam rumo à Dakar. O carro impressiona pela enorme resistência demonstrada nas mais duras situações de pancadas e pisos de pedras.
Sobre os parceiros que investiram no projeto e viabilizaram a participação da dupla no Lisboa-Dakar 2007, Ximenes faz questão de comentar,
" Sem o sol do Ceará eu nunca teria chegado até aqui, a Ypióca esquenta as noites frias de até dois graus que pegamos e nos aquece para encararmos as poucas horas de sono. Nosso Mitsubishi é um verdadeiro tanque de guerra, que nos faz sentir aptos a ir em frente sem medo, e por fim podemos todos os dias usar nosso Motorola e falar com nossas esposas e filhas, e ainda por cima, estamos no maior rali do mundo, o que mais podemos pedir a Deus a não ser saúde para fazermos bem a nossa parte?? Somos realmente muito abençoados"!!!
Riamburgo Ximenes e Lourival Roldan tem patrocínio de Governo do estado do Ceará – Setur, Ypióca e Mitsubishi Motors do Brasil, apoio de Nissei, Motorola e Ponto da Moda
Mais informações:
Zarhi El Malek
011 - 82084231