Experiência e resistência.
A sexta etapa do maior rali do mundo mostrou porque ele é tão mítico. Não que o Dakar tenha ingredientes em que o perigo seja estimulado, mas a presença de um natureza inóspita e cujos obstáculos naturais se fazem presentes integralmente conduz pilotos e navegadores a uma aventura extrema.
" Não dá para imaginar o Dakar, é preciso estar aqui para se compreender sua dimensão". Nos disse Ximenes após encarar o maior susto que já passou em um rali e quase abandonar a competição no trecho entre Ouarzazate e Tan Tan no Marrocos.
A cada nova etapa, um dia de variáveis inesperadas surge a frente dos competidores. Trechos inimagináveis em um rali "normal" são o dia a dia da competição. Tanto que Riamburgo completa, " Para quem vem ao Dakar apenas com o objetivo de cumprir o trecho e chegar ao destino final, talvez não encontre as mesmas dificuldades que quem acelera e se dispõe a vencer, seja sua categoria ou o troféu de rookie como é o nosso caso, encare. Andamos muito rápidos, no primeiro dia de Marrocos por exemplo, aceleramos a 165km dentro de uma poeira tão cega que só nos permite ver o carro que vamos ultrapassar quando chegamos a uns 150 metros dele".
Situações de risco são parte do rali, e por isso as baixas são muitas, após seis etapas realizadas, nos carros 39 duplas já abandonaram o rali, nas motos 59 pilotos já desistiram o Dakar e nos caminhões, 14 equipes deixaram o rali.
Os sustos são uma constante, como nos conta o vencedor da etapa de hoje, o americano Robbye Gordon,
"Ontem fomos castigados pela nossa forma de ultrapassar, em alguns momentos empurrávamos os carros a nossa frente, mas é verdade que quando se sai da 71º posição como fizemos ontem, vê-se a diferença entre os pilotos profissionais e os outros. Os acidentes estão lá, sujeitos a todos, mas quem sabe o que faz, acelera sem medo".
Mas, o Dakar não é apenas o dia nas pistas e terrenos que o deserto oferece, cada noite nele também guarda sua magia, Riamburgo Ximenes nos conta que a noite quando chegam as tendas montadas em meio ao nada, chamadas de Bivuacs, a temperatura do deserto é inacreditavelmente fria. " Na nossa primeira noite no Marrocos, pegamos dois graus, mas a sensação térmica é de menos dez, estava muito frio. Ontem, chegamos arrebentados ao acampamento, com dores em todo o corpo devido ao acidente, e o máximo de conforto que nos é dado são tapetes persas e um jantar regado a areia, nos achamos tudo isso incrível! Piloto é assim mesmo, quanto pior melhor nos parece e como bom cearense posso afirmar, isso aqui é coisa " pra cabra macho"!
A largada de hoje aconteceu em meio a ventos fortes que trazem verdadeiras tempestades de areia. Na pista as " ervas de camelo", um tipo de vegetação típica da Mauritânia, aparentemente são como ervas comuns, mas na realidade são duras como pedars e podem causar desde furos em pneus a quebras. As dunas continuam a fazer parte do trajeto que neste momento cruza o Saara Ocidental.